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Áreas Terapêuticas

Doenças Lisossomais de Sobrecarga – DLS

Actualmente são conhecidas mais de 45 Doenças Lisossomais de Sobrecarga (DLS), que podem ocorrer em 1 de cada 5.000 nados-vivos.

Todas as DLS partilham um mecanismo patogénico comum: uma alteração genética que condiciona uma deficiência numa ou mais enzimas lisossomais específicas, resultando assim numa diminuição / ausência da actividade enzimática, que se traduz na acumulação progressiva do substrato respectivo.

As manifestações clínicas tendem a afectar todos os sistemas orgânicos (em que exista produção do substrato específico) de forma progressiva, uma vez que, a diminuição / ausência da actividade da enzima leva à acumulação gradual do substrato não-degradado; o impacto a nível celular e tecidular desta acumulação constitui a base fisiopatológica para a ocorrência de patologias secundárias. O reconhecimento dos sintomas de apresentação e um diagnóstico precoce são essenciais para travar a evolução da doença.

Doença de Gaucher

A Doença de Gaucher resulta de uma alteração genética, hereditária, que condiciona uma deficiência funcional da actividade enzimática da b-glucocerebrosidase que se estima afectar cerca de um em cada 100.000 indivíduos. Esta deficiência leva à acumulação de glucocerebrosídeos nos lisossomas dos macrófagos provocando a formação de células com características particulares, designadas por células de Gaucher.

O tipo e gravidade clínica dos sintomas da doença de Gaucher são muito variáveis. Os doentes podem apresentar alterações hematológicas como trombocitopenia e anemia; hepatoesplenomegalia; e doença óssea como osteoporose ou osteonecrose, que condicionam um risco acrescido de fracturas. A doença pode manifestar-se tanto na infância como na idade adulta, podendo alguns doentes tornar-se sintomáticos já numa idade avançada.

Está aprovada para o tratamento da doença de Gaucher uma forma modificada da glucocerebrosidase humana produzida por tecnologia de ADN recombinante num sistema de cultura de células de mamífero.

Doença de Fabry

Tal como na Doença de Gaucher, uma alteração genética leva a uma deficiência enzimática (alfa-galactosidase A) que resulta na acumulação celular do substrato globotriaosilceramida (GL-3) e de outros glicoesfingolípidos nos tecidos viscerais e endotélio vascular. Esta acumulação progressiva de lípidos tem consequências clínicas nos sistemas renal, cardíaco e cerebrovascular, e pode estar na origem de patologias que comportam risco de vida. Mais inespecíficos na infância, os sintomas da Doença de Fabry incluem crises episódicas de dor ou sensação de queimadura nas extremidades, perturbações da sudorese, intolerância ao calor, febre recorrente, opacidades da córnea e do cristalino, angioceratomas, e, numa fase mais tardia da doença, insuficiência renal, problemas neurológicos e disfunção cardíaca.

A existência de terapêutica aprovada para o tratamento da Doença de Fabry representa uma possibilidade efectiva de alteração da sua história natural e constitui uma esperança tanto para os doentes e seus familiares como para os profissionais de saúde que os acompanham.

Doença de Pompe

A doença de Pompe é uma miopatia metabólica rara, progressiva e fatal com uma incidência global estimada em 1 em cada 40.000 nascimentos. Outras denominações para a doença de Pompe incluem doença de armazenamento de glicogénio tipo II (GSD-II), deficiência de maltase (AMD) e glicogenose tipo II.

É uma doença lisossomal de sobrecarga pois deriva de uma alteração genética que condiciona uma deficiência da enzima ácido a-glucosidase (GAA) que produz a degradação do glicogénio lisossómico em glucose, levando à acumulação de glicogénio em vários tecidos, especialmente no coração, no músculo respiratório e no músculo esquelético.

A apresentação clínica da doença de Pompe é descrita na forma infantil por um desencadeamento rápido (início nos primeiros meses/anos de vida e esperança de vida muito curta) e na forma tardia por uma progressão mais lenta, resultando no desenvolvimento de cardiomiopatia hipertrófica, enfraquecimento muscular progressivo e alterações na função respiratória.

Uma forma modificada da enzima humana produzida por tecnologia de ADN recombinante em sistema de cultura de células de mamífero está aprovada para o tratamento de doentes com um diagnóstico confirmado. de doença de Pompe

Mucopolissacaridose tipo I (MPS I)

A MPS I, designação que engloba a Síndroma de Hurler, a Síndroma de Hurler-Scheie e a Síndroma de Scheie é uma doença genética com uma incidência estimada em aproximadamente um em cada 100.000 indivíduos. Estes doentes não sintetizam a forma natural da enzima alfa-L-iduronidase, que é necessária à degradação lisossómica dos glicosaminoglicanos (GAG's).

A acumulação celular intra-lisossómica de glicosaminoglicanos é multi-sistémica, afectando a maioria dos órgãos. As manifestações mais frequentes são o envolvimento cardíaco, obstrução respiratória, alterações oculares, hepatoesplenomegalia, rigidez articular e dismorfia facial característica.

Está aprovada uma forma modificada da enzima humana produzida por tecnologia de ADN recombinante em sistema de cultura de células de mamífero.

Esta enzima recombinante constitui a alternativa terapêutica específica para esta doença debilitante, degenerativa e potencialmente fatal. Esta terapêutica permite inverter a história natural da doença e aliviar muitos dos sintomas mais graves da MPS I podendo aumentar consideravelmente a qualidade de vida dos doentes.

Nefrologia

Tratamento da hiperfosfatemia em doentes com insuficiência renal avançada (em diálise)

Os doentes com insuficiência renal crónica avançada têm, em geral, níveis de fósforo sérico elevados, se não forem adequadamente tratados. A prevenção e o tratamento da hiperfosfatemia nestes doentes baseia-se na restrição dietética de fosfato, na ingestão de captadores ("quelantes") de fosfato com as refeições, e, nos doentes já em tratamento de substituição da função renal, na remoção dialítica de fosfato. Até há pouco tempo, os captadores de fósforo estavam limitados aos sais de alumínio e de cálcio. Embora eficazes, estes compostos provocam, respectivamente, toxicidade por alumínio e acumulação excessiva de cálcio no organismo. Níveis elevados de fósforo sérico em combinação com consumo de doses altas de sais de cálcio, foram relacionados com um aumento do risco de doença óssea e de calcificação cardiovascular, factores indutores de elevada morbilidade e mortalidade nestes doentes.

O Sevelamer é um captador de fósforo não-absorvido, isento de cálcio e de metais, que permite controlar os níveis de fósforo sérico, sem expor o doente à toxicidade proveniente da acumulação dos sais de cálcio, do alumínio ou de outros metais.

Além de disponibilizar um tratamento inovador, a Genzyme assume ainda um compromisso de apoio aos doentes insuficientes renais através dos profissionais de saúde que os assistem, desenvolvendo programas informativos relativos ao controlo da hiperfosfatemia e estratégias para a prevenção das suas complicações.

Oncologia - Carcinoma da Tiróide

O tratamento Cancro da Tiróide de origem folicular envolve cirurgia ablativa da tiróide (tiroidectomia) e uma terapêutica hormonal supressiva com hormonas tiroideias, para toda a vida, para diminuir o risco de recorrência. Até há poucos anos, os doentes tinham de suspender esta terapêutica durante o período de quatro a seis semanas que antecedia a realização dos estudos de monitorização periódica de metástases ou recidiva do carcinoma, desenvolvendo sintomas de hipotiroidismo tais como fadiga, aumento de peso, depressão, e a morbilidade relacionada.

A tirotropina alfa, uma forma recombinante da hormona estimuladora da tiróide (TSH) humana estimula a captação de iodo radioactivo, a produção e a libertação de Tiroglobulina por células de origem tiroideia. A sua administração permite realizar exames cintigráficos com iodo radioactivo e fazer o doseamento sérico da Tiroglobulina, sem induzir sintomas de hipotiroidismo, nem afectar a qualidade de vida dos doentes. Além disso, a tirotropina alfa confere elevada sensibilidade aos testes de Tiroglobulina sérica, permitindo a eficaz identificação das metástases.

Transplantação

A transplantação de órgãos representa uma alternativa terapêutica eficaz para patologias crónicas, nomeadamente insuficiência renal crónica e diabetes, e a única alternativa terapêutica para patologias terminais de órgãos vitais – coração, pulmão e fígado.

Os doentes submetidos a transplante são submetidos a uma terapêutica imunossupressora com o objectivo de inibir algumas funções do sistema imunitário e, assim, diminuir a sua capacidade de reconhecimento do órgão doado como um corpo estranho.

Existem duas grandes categorias de fármacos imunossupressores: os fármacos endovenosos para profilaxia da rejeição (indução) e os fármacos para imunossupressão de manutenção.

A imunoglobulina de coelho anti-timócitos humanos é um anticorpo policlonal (utilizado na fase de indução) que garante uma prevenção eficaz da rejeição aguda e que possibilita a redução da terapêutica de imunossupressão de manutenção de acordo com as necessidades do doente.

Outro tipo de transplante é o vulgarmente designado de “transplante de medula” que consiste na administração endovenosa de células estaminais hematopoiéticas, ou seja, células percursoras que após divisões sucessivas originam as células maduras do sangue – glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

O objectivo do transplante de medula é o tratamento de doenças hematológicas de carácter neoplásico (leucemias, linfomas, mieloma), ou outras como a anemia aplástica e a talassémia; mais recentemente, também tem vindo a ser utilizado no tratamento de alguns tumores sólidos.

As principais complicações associadas ao transplante de medula, caso o dador não seja relacionado, são a reacção contra o hospedeiro (Graft versus Host Disease - GvHD), a mortalidade relativa ao transplante e a recidiva da doença.

A GvHD é uma reacção imunológica em que as células do dador, ao serem perfundidas no receptor, “atacam” os seus órgãos e tecidos.

A imunoglobulina de coelho anti-timócitos humanos permite fazer a profilaxia da GvHD aguda e crónica.

Outras Áreas

Genética

O futuro da medicina passa, em grande parte, pela compreensão da base genética das diversas patologias. A divisão de Genética da Genzyme contribui para este conhecimento através de serviços de diagnóstico genético e de investigação do genoma. Neste campo a Genzyme incide prioritariamente na identificação e compreensão dos genes que apresentem potencialidades de aplicação diagnóstica e terapêutica.

Biocirurgia

A Genzyme Biosurgery afirmou-se como líder num campo em franco desenvolvimento, desenvolvendo produtos inovadores que permitem reduzir a duração e as complicações associadas à cirurgia, encurtar os períodos de restabelecimento e melhorar a eficácia da cirurgia. Como exemplo, na área da cirurgia cardio-torácica, produz instrumentação minimamente invasiva e está a investigar a utilização de modalidades de terapêutica genética para a promoção da angiogénese em doenças cardíacas, assim como a reparação de tecidos lesados com células do próprio doente.

Oncologia

A Genzyme Oncology tem-se dedicado ao desenvolvimento de uma nova geração de terapêuticas com base no conhecimento dos mecanismos moleculares do processo neoplásico. Esta unidade congrega três áreas de intervenção: imunoterapia, inibidores da angiogénese e vias metabólicas da tumorogénese.

Novos produtos em desenvolvimento

A Genzyme investe significativamente em investigação e desenvolvimento incidindo em várias áreas terapêuticas, como doenças hereditárias, auto-imunes, cardiovasculares, infecciosas, oncológicas, ortopédicas e insuficiência renal. Na área da genética e diagnóstico, estamos focalizados na oncologia, na medicina da reprodução e nas doenças cardiovasculares e infecciosas.

Apostamos fortemente no desenvolvimento de novos produtos para o tratamento de doenças lisossomais de sobrecarga. Na linha do compromisso de criar produtos e serviços especificamente dirigidos a necessidades médicas sem resposta, a Genzyme está actualmente a desenvolver terapêutica de substituição enzimática para a doença de Niemann-Pick B. A Genzyme desenvolve também abordagens inovadoras no âmbito da inibição do substrato, tais como as pequenas moléculas para terapêutica oral de várias doenças lisossomais de sobrecarga; está ainda envolvida em vários estudos que investigam sistemas de introdução de genes que codificam a forma específica da enzima no tratamento destas doenças.

Está também em curso investigação de terapêutica génica para a fibrose quística, doenças cardiovasculares e diferentes tipos de neoplasias.

Existem vários produtos com base na tecnologia de polímeros (já utilizada com o captador de fosfato Sevelamer) para o tratamento de doenças crónicas incapacitantes, como as doenças infecciosas, doenças de sobrecarga de ferro, obesidade e mucosite oral. Exemplos desses produtos são os estudados para o tratamento da hipercolesterolémia e para o tratamento da diarreia provocada por Clostridium difficile.

Na área renal, então em desenvolvimento vários projectos, nomeadamente na Doença Renal Policística, na Glomeruloesclerose Segmentar Focal e na Insuficiência Renal Aguda, em que uma técnica, desenvolvida em parceria com a Renamed Corporation, denominada Renal Bio-Replacement Therapy utiliza células renais funcionais administradas ex-vivo em associação à diálise convencional, para assegurar a função renal, o que permitirá a sua recuperação a curto prazo; desta forma pretende-se aumentar a taxa de sobrevivência, diminuindo os custos de hospitalização.

As várias plataformas tecnológicas e a grande variedade de produtos em desenvolvimento, demonstram que a Genzyme continua a apostar na investigação de produtos inovadores em patologias que constituem necessidades médicas sem resposta terapêutica adequada e eficaz.


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